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CASCOS EM MADEIRA TIPO PÃO E MANTEIGA
Segunda Parte
Edmar Mammini
 
 
 
 
 
Este tipo de construção é sem dúvida a mais perfeita que tem, alem de permitir alterações que se fizerem necessárias. Para se fazer esse tipo de construção é necessário alguns requisitos que muitos modelistas não tem normalmente, a saber: 1ºser desenhista, 2º Ter serra de fita (band saw)ou uma boa tico-tico(Jig saw) 3º ter uma boa lixadeira de disco profissional, marca Bosch, Makita, Sir ou assemelhada. Lixadeirinha de modelismo não consegue encarar o serviço. Se o leitor tem esses itens então vamos ao serviço. 1º As plantas, desenhos ou planos dos barquinhos a se fazer dificilmente têm o plano de linhas do casco. Em geral têm o desenho das cavernas e a distância entre as mesmas, e daí saem os cascos explicados no artigo anterior. 2º Fazer os planos de linhas é trabalhoso mas para quem for desenhista é moleza; e aqui vai a descrição de como fazer ou melhor transformar o perfil das cavernas em plano de linhas.
 
3º Existem dois tipos de planos de linha a) vista lateral, e b) vista de fundo ou de cima (que dá no mesmo, depende de como se interpreta). O que vamos usar é o visto de cima. Arrume uma mesa de desenho que seja igual ou maior que o comprimento do barco, se não tiver, compre uma porta dessas vagabundas em casa de material de construção mas que seja da compensado ordinário desse que desmancham com a chuva assim se sua mulher encher o saco com a tal da porta, depois de usa-la deixe pegar chuva ela se desmancha e você joga tudo fora, e fica numa boa. A mesa/porta dura até você terminar o desenho. Como barco quase não tem partes retas, régua aí é um instrumento de pouca necessidade, vá até a loja onde você comprou a porta e compre uma cinta de passar fios em eletrodutos; a de 5 metros (que é a menor que tem, serve) e essa vai ser sua régua, isso é uma régua que faz curva, é uma maravilha da natureza.
 
 
 
Arrume uns pedaços de pontas de caibros de peroba ou assemelhada e faça uns pesos para você prender a régua onde lhe interessar; serre uns "gaps" (pequenas fendas) com uma serra de serrar ferro e enfie nessa fenda a cinta metálica e com ela você fará lindas curvas de níveis. Tendo esse maravilhoso instrumento de desenho em mãos inicie o serviço colando com fita crepe o papel de desenho na mesa/porta. Cole sobre a mesa também o desenho dos perfis das cavernas. Na linha divisória entre proa e popa divida em partes iguais a espessura da madeira ser usada na confecção do casco, por exemplo iremos usar um compensado de 10 mm de espessura, é fácil de achar, é uma medida boa de se trabalhar, enfim imaginemos 10 mm. Se entretanto você tiver dúvidas, primeiro compre a folha de compensado e depois faça o desenho, o trabalho é o mesmo.
 
 
 
Para fins de explicação iremos ficar com os 10 mm (em média), os compensados não possuem a mesma espessura em todo seu tamanho variando em geral para menos do que isso, mas a espessura da cola a ser usada compensa essa falha. Divida em partes inteiras de 10 mm; assim, se o casco tiver 180mm de altura, teremos de usar 18 folhas para faze-lo. Essas folhas são em geral igual ou menor do que comprimento e largura do casco, por aí calcula-se a quantia de folhas de compensado a serem compradas. Os compensados com raríssimas exceções tem 2,20 m x 1,60 m de tamanho.
 
 Vamos ao desenho propriamente dito : feita a divisão inicial, faça agora a divisão do comprimento do casco pelo número de cavernas , em geral isso já vem feito mas se não tiver... chegou a hora de faze-lo. Desenhe a largura máxima das cavernas na boca do casco e coloque no desenho. Isso dará já o tamanho e perfil da boca. Use a cinta para traçar isso, tire a média entre os pontos encontrados , sempre existe um erro de desenho nas coisas.
 
Agora comece com a caverna N.º 1 meça a distância, entre a linha de proa e a coincidência do perfil dela com a linha que representa a primeira tábua, ponha um número minúsculo de identificação (para não se perder depois) faça isso com a segunda caverna a terceira e sucessivamente com todas as que cruzarem a tábua N.º 1 e ponha o mesmo número em todas ,1 por exemplo, agora pegue a régua maravilhosa que é torta pela própria natureza e faça um risco unindo esses números ,essa é a metade da primeira tábua a ser recortada. Faça a mesma coisa com os demais pontos de encontro das cavernas com as linhas que representam as tábuas. Assim você terá um monte de linhas que se chama plano de linhas. É por aí que iremos começar a construção do casco tão desejado. Usando papel carbono, papelão fino ou cartolina grossa, copie via carbono o perfil de cada tábua em cartolina, numere para não se perder no mundo de moldes de cartolina, feito isso comece a riscar a tábua, primeiro divida-a pelo meio na longitudinal, depois copie um lado com o molde de cartolina depois rebata o molde e copie o outro lado, e assim sucessivamente, até desenhar todas as tábuas.
 
 
 
 
Feitos os desenhos recorte-os com serra de fita ou tico-tico, para melhor acertar a colagem que se seguirá desenhe nessa mesma tábua o perfil da que irá ser colada sobre ela. Alem do mais como esse desenho pode se perder por dissolução pela cola, faça também quatro cortes de serra pequenos e nas laterais exatamente onde deveriam estar as cavernas que determinam a secção paralela do casco. Faça o empilhamento obedecendo esses cortes. Recortadas as tábuas não perca tempo em lixa-las ou melhorar o perfil das mesmas esses se perderão na colagem. O melhor tipo de compensado é o mais barato, esse casco nunca será colocado na água, e poderá ser imunizado contra cupins se for ser usado como casco de modelo estático. Na maioria das vezes ele é usado para se tirar o molde em fibra ou o molde a vácuo ou ainda o metálico e depois jogado fora, então porque comprar madeira de primeira?
 
Para o casco ficar mais leve convém recortar o miolo da tábua sem contudo chegar a cortar a parte a ser usada, o furo a ser feito deve ser menor do que o perfil da tábua subsequente e de ambos os lados da colagem. Convém também fazer dois furos deixando uma travessa no meio ,evitando dessa maneira que o casco se dilate com a umidade residual da cola. A melhor cola para se fazer isso é a Cascorês, cola branca tipo Tenaz porem compre lá na mesma loja da porta e da cinta, um litro de cola, sai bem mais em conta. O melhor jeito de se colar isso é impregna-la com cola só de um lado e mais, fixar cada tábua sobre a outra com pequeno prego, se possível sem cabeça e ainda remachado dentro da tábua. Comece colar pela parte na qual uma única tábua irá de proa a popa, você vai notar pelo desenho que as vezes uma ou duas tábuas que estão na borda falsa do barco não faz isso; desse modo comece a colar pela tábua subsequente, uma vez todo colado, então cole esses pedaços de tábuas para poder ter o perfil exato e desejado.
 
 
 
 
Uma vez colado o casco, espere no mínimo 3 dias sem chuva, se estiver chovendo espere uma semana, se não a cola não seca, lembre-se o solvente dela é água, e esta encharca a madeira e madeira encharcada deforma. Espere a secagem total, e daí então comece a lixar. Como já referido no inicio do artigo, a lixadeira tem que ser do tipo parruda, de hobby pifa na 1ª hora de serviço. Usando disco de lixa n.º 36 ou 40 comece a desbastar as quinas (ou arestas) entre as tábuas, até que o casco comece a tomar forma de casco realmente, quando as quinas sumirem o casco já tomou forma. Os cortes que foi pedido no local das secções paralelas permanecerá, e ele servirá de guia para mais um controle da lixajem.
 
Através desses cortes localize as cavernas marcadas e de volta ao desenho copie sobre o casco um risco que corresponde exatamente onde fica cada caverna. Feito isso, recorte de cartolina grossa ou papelão, todas meias secções das cavernas existentes, mas pelo lado de dentro e não o de fora, ou melhor a cartolina deve representar o perfil do lado de fora do casco, não esqueça de numera-las. Com as secções nas mãos, coloque sobre os riscos no casco com o número da caverna correspondente, esse perfil de cartolina; este deverá se justapor a madeira lixada, se isso não acontecer, lixe novamente até que se justaponham. Faça isso com todas e dos dois lados, bombordo e boreste. Terminado o serviço o casco estará pronto e perfeito. Nos próximos artigos iremos explicar como se usa esse casco para fazer moldes para cascos em fibra e para "vacuum forming", e ainda como recobri-lo com ripinhas imitando o real.
 
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